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Maratona de Berlim 2026: sem Sawe, Assefa mira o recorde mundial

A etíope Tigst Assefa corre à frente de Megertu Alemu e Joyciline Jepkosgei na Maratona de Londres de 2024

O percurso mais rápido do mundo vai para a largada sem o homem mais rápido do mundo. A Maratona de Berlim 2026 acontece neste domingo (27), e Sabastian Sawe, campeão da edição passada e dono do recorde mundial de 1h59min30s, desistiu da prova por lesão um mês antes.

A ausência muda o foco da manhã. No feminino, a etíope Tigst Assefa volta à cidade onde bateu o recorde mundial em 2023 e diz que quer tentar de novo. No masculino, a corrida ficou aberta: três etíopes e um tanzaniano com marcas abaixo de 2h04min, além de um convidado de 44 anos que já venceu duas vezes nas mesmas ruas, Kenenisa Bekele.

Horário de Brasília e programação

A 52ª edição da prova sai da avenida Straße des 17. Juni e termina depois do Portão de Brandemburgo, no centro de Berlim. A largada da elite e do primeiro bloco de corredores está marcada para as 8h45 no horário local. Como a Alemanha está cinco horas à frente de Brasília nesta época do ano, o torcedor brasileiro precisa acordar cedo:

  • Handbikes: 8h20 em Berlim, 3h20 de Brasília.
  • Cadeirantes de elite: 8h26 em Berlim, 3h26 de Brasília.
  • Elite masculina e feminina: 8h45 em Berlim, 3h45 de Brasília.

Depois da elite, saem mais cinco ondas de corredores amadores até as 10h27 locais. A organização espera mais de 56 mil atletas de mais de 160 países ao longo do fim de semana, somando todas as modalidades do evento. Com ritmo forte, o vencedor masculino deve cruzar a linha pouco antes das 6h de Brasília.

Onde assistir à Maratona de Berlim no Brasil

A lista oficial de transmissões da prova aponta a ESPN como detentora dos direitos na América do Sul e no Caribe. No Brasil, a transmissão ao vivo está prevista para começar às 3h45, na ESPN2 e no Disney+, que concentra o conteúdo da ESPN no streaming. Na Alemanha, a RTL mostra a prova em TV aberta, e o canal oficial da maratona no YouTube segue com imagens da chegada depois do fim da transmissão principal.

O passo a passo para assistir, com as opções de TV e streaming, está no guia onde assistir a Maratona de Berlim 2026 ao vivo no Brasil.

Berlim sem o campeão e recordista

Sawe anunciou a desistência em 27 de agosto. “Sou obrigado a desistir da Maratona de Berlim por causa de uma lesão”, disse o queniano no comunicado da organização. O diretor da prova, Mark Milde, lamentou: “Gostaríamos muito de ver Sabastian Sawe de volta a Berlim”. Os organizadores não anunciaram substituto.

A ausência pesa porque Berlim seria a primeira maratona de Sawe desde abril, quando ele venceu Londres em 1h59min30s e se tornou o primeiro homem a correr a distância abaixo de duas horas em prova oficial. A marca entrou para a história como o primeiro sub-2h homologado. O 1h59min40s de Eliud Kipchoge em Viena, em 2019, nunca valeu como recorde, porque foi feito num evento fechado, com coelhos em rodízio, como mostra a reportagem sobre como Kipchoge quebrou o limite da corrida.

Em Berlim, no ano passado, Sawe venceu com 2h02min16s, a melhor marca do mundo em 2025 até ali. Ele chegou a passar a primeira metade em ritmo de recorde mundial, mas diminuiu a velocidade na segunda metade, sob calor.

Quem pode vencer no masculino

Sem Sawe, não há um favorito claro. O pelotão de elite tem 25 homens com marca pessoal abaixo de 2h08min, segundo levantamento do site especializado Marathon Handbook sobre a lista de inscritos. Entre eles, 14 japoneses, todos entre 2h05min59s e 2h07min56s. Os nomes mais fortes para a vitória são estes:

  • Gabriel Geay (Tanzânia), 2h03min00s. Recordista do país, fez a marca ao terminar em segundo em Valência, em 2022. Foi vice da Maratona de Boston em 2023.
  • Getaneh Molla (Etiópia), 2h03min34s. Marca feita em Dubai, em 2019.
  • Guye Adola (Etiópia), 2h03min46s. Aos 35 anos, conhece o percurso como poucos: foi vice em Berlim em 2017, atrás de Kipchoge, e campeão em 2021, com 2h05min45s. Em abril, venceu a Maratona de Roterdã com 2h03min54s.
  • Shura Kitata (Etiópia), 2h03min59s. É o que chega com a forma mais recente: venceu Sevilha em fevereiro, numa chegada tão apertada que os juízes precisaram da foto para separá-lo de Asrar Abderehman, que recebeu o mesmo tempo. Kitata foi campeão da Maratona de Londres em 2020.
  • Erick Sang (Quênia), 2h04min30s, e Selemon Barega (Etiópia), 2h05min00s, campeão olímpico dos 10.000 m em Tóquio, que fez a marca na Maratona de Tóquio em março.
O etíope Guye Adola, campeão da Maratona de Berlim em 2021, corre pelas ruas de Berlim na edição de 2025
Guye Adola na Maratona de Berlim de 2025. O etíope venceu a prova em 2021. Foto: Leonhard Lenz (CC0)

Bekele aos 44 anos

O nome mais conhecido da largada masculina foi anunciado em 18 de setembro, a nove dias da prova. Kenenisa Bekele, 44 anos, tricampeão olímpico e dono da marca mais rápida entre os inscritos, volta a Berlim para a primeira corrida dele em 2026.

A história do etíope com a cidade é de quase. Em 2016, venceu com 2h03min03s, seis segundos acima do recorde mundial da época. Em 2019, venceu com 2h01min41s e ficou a dois segundos do recorde de Kipchoge. Nas duas vezes, saiu com o título e sem o recorde.

A pergunta agora é outra: quanto um maratonista consegue manter depois dos 40. Em abril de 2024, aos 41 anos, Bekele foi segundo em Londres com 2h04min15s, até hoje a maratona mais rápida já corrida por um atleta acima dos 40. Quatro meses depois, terminou em 39º na maratona olímpica de Paris.

O etíope Kenenisa Bekele corre sob chuva na Maratona de Londres de 2023, com público de guarda-chuva na calçada
Kenenisa Bekele na Maratona de Londres de 2023. Aos 44 anos, ele volta a Berlim, onde venceu em 2016 e 2019. Foto: Katie Chan (CC BY-SA 4.0)

Assefa contra o recorde mundial feminino

Se existe uma tentativa de recorde declarada neste domingo, ela é feminina. Tigst Assefa, 29 anos, venceu em Berlim em 2022, com 2h15min37s, e voltou no ano seguinte para cravar 2h11min53s, recorde mundial na época. A marca durou pouco mais de um ano: em outubro de 2024, a queniana Ruth Chepngetich correu 2h09min56s em Chicago.

Chepngetich foi suspensa depois por três anos por doping, mas o recorde continua valendo, porque a amostra positiva é de março de 2025, posterior à prova de Chicago. Para retomar a marca, Assefa precisa correr 1min57s mais rápido do que o melhor tempo da carreira.

“É um grande prazer voltar às ruas de Berlim três anos depois de bater o recorde mundial aqui, em 2023. Estou animada para tentar mais uma vez quebrar o recorde mundial”, disse a etíope quando teve a participação confirmada.

A forma recente ajuda. Em abril, Assefa venceu a Maratona de Londres pela segunda vez seguida com 2h15min41s, recorde mundial em prova só de mulheres, sem coelhos homens. Ela também foi prata na maratona olímpica de Paris 2024 e no Mundial de Tóquio, em 2025.

O pelotão tem oito mulheres com marca abaixo de 2h20min. Entre elas estão a queniana Rosemary Wanjiru, que defende o título depois de vencer em 2025 com 2h21min05s, e a etíope Dera Dida, que chegou três segundos atrás dela naquela prova. A finlandesa Alisa Vainio, campeã europeia em agosto, em Birmingham, entrou na lista no mesmo anúncio de Bekele. A alemã Esther Pfeiffer corre atrás de outro recorde, o nacional: os 2h19min19s de Irina Mikitenko, feitos nas ruas de Berlim em 2008.

O recorde do percurso cai?

O recorde masculino de Berlim é de Eliud Kipchoge: 2h01min09s, em 2022, que também era recorde mundial naquele dia. O feminino é o 2h11min53s de Assefa. O recorde mundial da maratona já caiu 13 vezes em Berlim, somando homens e mulheres, mais do que em qualquer outra prova do planeta.

No masculino, a matemática é dura. Só Bekele tem marca pessoal abaixo de 2h03min entre os inscritos, e mesmo o 2h01min41s dele fica 32 segundos acima do recorde do percurso. Os outros candidatos teriam de baixar o melhor tempo da carreira em quase dois minutos.

No feminino, a meta é mais concreta, porque Assefa já é a dona do recorde do percurso e corre contra o próprio tempo e contra o de Chicago. O clima pode decidir. Em 2025, o calor derrubou o ritmo de Sawe na segunda metade. Para este domingo, a previsão publicada pelo Marathon Handbook indica tempo seco, cerca de 13 graus na largada e máxima de 21 graus ao longo do dia.

O tanzaniano Gabriel Geay corre ao lado das grades de proteção na Maratona de Berlim de 2025
Gabriel Geay em Berlim, em 2025. O tanzaniano tem a segunda melhor marca entre os inscritos. Foto: Leonhard Lenz (CC0)

Por que Berlim é o percurso mais rápido do mundo

A fama tem explicação simples. O percurso é plano, tem ruas largas, poucas curvas fechadas e é disputado no fim de setembro, quando a temperatura costuma ser amena na capital alemã.

O brasileiro conhece bem essa pista. Em 20 de setembro de 1998, Ronaldo da Costa venceu a Maratona de Berlim com 2h06min05s e quebrou o recorde mundial que o etíope Belayneh Dinsamo mantinha havia dez anos, desde Roterdã, em 1988. O mineiro de Descoberto foi o primeiro homem a passar pelo quilômetro 40 abaixo de duas horas, com 1h59min55s. Não há brasileiros no pelotão de elite deste ano.

O que Berlim ensina sobre alta performance

Bekele venceu Berlim duas vezes e ficou a segundos do recorde mundial nas duas. Aos 44, volta ao mesmo asfalto sete anos depois da melhor marca da carreira. É a prova de que carreira longa não se sustenta com um pico. Se sustenta com processo, ano após ano, e com a capacidade de ajustar o objetivo à fase da vida.

Sawe deixa outra lição. Recordista mundial e campeão da prova, abriu mão de Berlim por causa de uma lesão, a um mês da largada. Para o atleta de qualquer nível, saber a hora de parar faz parte do plano tanto quanto saber a hora de acelerar.

Assefa, por fim, mostra o valor de um objetivo nomeado em voz alta. Ela não disse que quer vencer. Disse que quer o recorde, com a marca, o lugar e a data definidos. Clareza de meta é o que organiza o treino dos meses anteriores, do quilômetro de aquecimento ao último tiro na pista.

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Foto de Diogo Moraes
Diogo Moraes

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